Tudo o que você espera de um filme que diz respeito a tráfico de drogas, polícia e civis, inocentes ou não, estão em Tropa de Elite. Pela narrativa do Capitão Nascimento, o filme até poderia ganhar status de documentário. Esta é a diferença entre Tropa de Elite e os outros filmes que já vimos.
Apesar de Carandiru e Cidade de Deus também possuírem uma narrativa interessante, o trabalho feito em Tropa de Elite é mais consistente. Você é jogado dentro do sistema de forma lenta, segura e acaba entendendo ainda mais como tudo funciona. Nada é fora da realidade e não tem como não viver na pele do Capitão, que tenta levar uma vida comum fora do trabalho. Mas os fantasmas são muitos e não há pra onde fugir.

Fica claro a intenção de mostrar que o BOPE é diferente, lugar de elite, onde não há corrupção, corrupção essa que na verdade não deveria existir em nenhuma corporação da polícia. Algo impossível hoje em dia e talvez algo que nunca deixará de existir. Compensa para um policial comum, que ganha mil reais mensais, às vezes até menos, combater traficantes com fuzis, enquanto ele se utiliza de um trinta e oito? E iria compensar para um policial comum, se ele ganhasse cinco vezes mais, para fazer a mesma coisa?
Eis o problema, arriscar a vida por tão pouco e arriscar a vida por se ganhar tanto. O dinheiro fácil é tentador, por que não usufruir dele? Eis aqui o motivo da existência do BOPE, onde a recompensa não está no dinheiro, mas na honra, na defesa do caráter, na ideologia e na certeza do dever cumprido. Vale ressaltar que o BOPE é uma das corporações mais bem equipadas e treinadas do mundo todo, sendo superior até mesmo a polícia israelense. E se você achou o treinamento mostrado no filme como “forte” ou “fantasioso”, pode ter certeza de que nada ali foi inventado.
Vale destacar a atuação de todos os atores, vi boas atuações de todas as partes e o filme passa em um piscar de olhos. Mas principalmente a atuação de Wagner Moura. Por coincidência, vi Deus é Brasileiro semana passada e nem sabia que ele fazia parte do filme. Aliás, excelente filme, não tem como ficar indiferente com a atuação dele ajudando "Deus" a achar seu Santo Quincas das Mulas.
A direção de José Padilha é interessante, ele soube usar bem o estilo Michael Bay de filmagem, câmera na mão, visões contra-luz, correria frenética, gritaria. A diferença é que Bay utiliza isso até em dramas, a câmera é uma arma nas mãos de Michael Bay. Mas Padilha se saiu bem, filme de ação pede isso mesmo e a narrativa foi bem empregada.
Tropa de Elite é um filme que retrata a realidade do dia-a-dia da polícia, do tráfico de drogas, da corrupção, batidos no liquidificador com uma pitada considerável de civis que por muitas vezes são inocentes. Tropa de Elite é uma aula da realidade. E se você ainda precisa de mais provas desta realidade, basta ler o que estampa a capa de todos os portais de notícias hoje, 21 de novembro de 2007: "Policial do BOPE, 3 PMs e oficial do Exército são mortos no Rio”.

Foto: Divulgação
Ilustração: Headwires
Apesar de Carandiru e Cidade de Deus também possuírem uma narrativa interessante, o trabalho feito em Tropa de Elite é mais consistente. Você é jogado dentro do sistema de forma lenta, segura e acaba entendendo ainda mais como tudo funciona. Nada é fora da realidade e não tem como não viver na pele do Capitão, que tenta levar uma vida comum fora do trabalho. Mas os fantasmas são muitos e não há pra onde fugir.

Fica claro a intenção de mostrar que o BOPE é diferente, lugar de elite, onde não há corrupção, corrupção essa que na verdade não deveria existir em nenhuma corporação da polícia. Algo impossível hoje em dia e talvez algo que nunca deixará de existir. Compensa para um policial comum, que ganha mil reais mensais, às vezes até menos, combater traficantes com fuzis, enquanto ele se utiliza de um trinta e oito? E iria compensar para um policial comum, se ele ganhasse cinco vezes mais, para fazer a mesma coisa?
Eis o problema, arriscar a vida por tão pouco e arriscar a vida por se ganhar tanto. O dinheiro fácil é tentador, por que não usufruir dele? Eis aqui o motivo da existência do BOPE, onde a recompensa não está no dinheiro, mas na honra, na defesa do caráter, na ideologia e na certeza do dever cumprido. Vale ressaltar que o BOPE é uma das corporações mais bem equipadas e treinadas do mundo todo, sendo superior até mesmo a polícia israelense. E se você achou o treinamento mostrado no filme como “forte” ou “fantasioso”, pode ter certeza de que nada ali foi inventado.
Vale destacar a atuação de todos os atores, vi boas atuações de todas as partes e o filme passa em um piscar de olhos. Mas principalmente a atuação de Wagner Moura. Por coincidência, vi Deus é Brasileiro semana passada e nem sabia que ele fazia parte do filme. Aliás, excelente filme, não tem como ficar indiferente com a atuação dele ajudando "Deus" a achar seu Santo Quincas das Mulas.
A direção de José Padilha é interessante, ele soube usar bem o estilo Michael Bay de filmagem, câmera na mão, visões contra-luz, correria frenética, gritaria. A diferença é que Bay utiliza isso até em dramas, a câmera é uma arma nas mãos de Michael Bay. Mas Padilha se saiu bem, filme de ação pede isso mesmo e a narrativa foi bem empregada.
Tropa de Elite é um filme que retrata a realidade do dia-a-dia da polícia, do tráfico de drogas, da corrupção, batidos no liquidificador com uma pitada considerável de civis que por muitas vezes são inocentes. Tropa de Elite é uma aula da realidade. E se você ainda precisa de mais provas desta realidade, basta ler o que estampa a capa de todos os portais de notícias hoje, 21 de novembro de 2007: "Policial do BOPE, 3 PMs e oficial do Exército são mortos no Rio”.

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