segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Os dias que não se perderam

O mais intenso, o mais completo, o mais desafiador, o mais instigante, o mais inovador, o mais musical, o mais mais. O ano da vontade e de principalmente acabar com a vontade. O ano de não ficar calado. O ano de não aceitar o que me foi imposto. O ano em que isso fez toda a diferença.

O ano de deixar a espera de lado, porque esperar nunca foi o meu forte. O ano de novas amizades, novos sabores, novos lugares, novos rumos, novas luzes. O ano com direções bem traçadas, com norte e sul, num mapa de 27 anos, que parece ter 22.

O ano de querer e poder. O ano de acreditar e conseguir. O ano de falar não para sempre e de falar sim para sempre. O ano em que tudo ficou mais claro.

O ano de dizer goodbye. O ano de dizer hello.

O ano em que os dias não se perderam.

Arte: Chobi | http://chobi.deviantart.com/
Arte: Chobi

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Era uma vez a NBA

Foto: Chloe9191 | http://chloe9191.deviantart.comHá alguns dias atrás, acessei o UOL e vi isso na capa: “Veja álbum com as melhores fotos da rodada da NBA”. O sentimento que tenho sobre isso hoje: nada. Se tivesse lido isso há 10 anos atrás, não hesitaria em clicar. Mas hoje, eu não clico. É de sentir pena. Era uma vez a NBA.

É fácil explicar o motivo. A NBA hoje carece de personagens, carece de carisma, carece da magia que foi a década de 90, que acompanhei inteira graças a Deus, graças a Michael Jordan e Scott Pippen e o apaixonante Chicago Bulls, graças a Karl Malone e John Stockton, a dupla.

E vi tudo, não só eu, mas todos os amigos que passavam noites vendo os jogos, as finais. Tenho tudo gravado em VHS, incluindo todos os jogos das finais da temporada 96-97 onde Michael Jordan foi o maior pontuador do campeonato inteiro, sendo consagrado o MVP (jogador mais valioso) das finais, e a temporada 97-98, onde Air Jordan foi um Deus, MVP da temporada, MVP das finais e maior pontuador do campeonato. Este último, fechou com chave de ouro a carreira deste que foi o último ano do Deus do basquete.

Na época, todo começo de tarde aos sábados, religiosamente às 14h00 na Band, passava o NBA Action, programa com os melhores momentos da semana, entrevistas e o tão esperado Top 10. Era um colírio. O programa tinha no máximo 50 minutos e logo após todos se encontravam na rua para comentar os jogos, as jogadas espetaculares e claro, jogar streetball, o basquete de rua. E garanto, ninguém ali era ruim a ponto de não saber jogar.

Incrível como algumas coisas superam o tempo. Tudo começou jogando uma bola de futebol na lixeira de um amigo nosso. Aí evoluímos para uma de voley. E olha, era muito legal jogar ali. Até que um dia a lixeira quebrou. Evoluímos para uma tabela propriamente dita, que foi pintada de azul escuro, com um aro modesto, mas ela era muito pesada e não tinha base. Colocamos ela em um muro, depois numa árvore, e assim passamos alguns meses. Até que um dia ganhamos uma tabela da Secretaria Municipal de Esportes. O ano era 1995 e o pai de um grande amigo nosso nos presenteou com aquela tabela semi-profissional. Era linda, toda branca, madeira de qualidade, base reforçada. Chumbamos ela na calçada, próxima a sarjeta. Em meia hora já estávamos pintando a rua com o garrafão, a linha de três e as laterais. E ela se encontra lá até hoje. Vai fazer 13 anos que ela está de pé, resistindo ao tempo, ao calor, chuva, ventos e vândalos. Mas está de pé. O aro já não é mais o mesmo, a base precisou de soldas várias vezes, mas ela teima em continuar lá.

Hoje em dia dificilmente alguém de nós joga, no máximo uma partida a cada seis meses, e na verdade, não chega nem a isso, somente alguns arremessos descompromissados numa tarde de sábado, num clássico “vinte e um”, só pra ver quem fica por último e zoar em seguida. O fato é que no nosso bairro na época, a Vila Grego, a rua Maranhão ficou conhecida como a “rua da tabela” e nós como os “meninos do basquete”. E vendo ela hoje de pé, dá saudades. E acredito que ela está de pé até hoje porque todos nós ainda estamos juntos desde aquela época. Mesmo não jogando, continuamos a nos encontrar nos sábados a tarde, domingos, alguns dias de semana, na mesma rua, no mesmo horário, a cerca de 20 metros dela. Sim, todos irmãos, mesmo não sendo de sangue. E talvez por isso ela não se sinta tão abandonada, vendo todo mundo ali, perto dela.

Foto: Divulgação | Michael JordanMas ainda hoje a criançada da vizinhança e de outros bairros aparece algumas vezes por lá, com suas bolas coloridas, Nike Shox, bermudões, correntes no pescoço parecendo uma alusão ao hip hop americano, meiões e camisas do Lakers de Kobe Bryant, Spurs de Tim Duncan, e raramente alguma de Jordan, do Bulls. Na nossa época as bolas eram de couro da Spalding, os tênis eram Nike Force, Converse e Reebok Pump, bermudas simples e camisas de Bulls, Suns e Jazz. É. Os tempos mudaram. Os ídolos são outros. O estilo é outro. O tempo passa e leva consigo tudo o que um dia foi. E a NBA não é mais o que um dia foi. A magia já não existe mais, Jordan guardou metade consigo. A outra metade ele deixou para nós, que vivemos o basquete da década de 90. E essa metade está nos nossos corações e em nossas mentes. Nós tivemos a sorte e a honra de ter visto Michael Jordan brilhar. Sinto pena de quem não teve.

Foto: Chloe9191
Foto: Divulgação

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Felipe fica

O melhor goleiro do Brasileirão 2007 renovou com o Corinthians. Felipe agora irá ganhar 80 mil reais mensais, para quem ganhava 30 mil, é um belo aumento.

Se um grande time começa com um grande goleiro, estamos bem, pois ele foi o único jogador que entrou em campo pelo Corinthians no campeonato passado. Agora só falta o Mano Menezes achar mais 10.

Obrigado, mas...

Congratulations! You won a free 3-month DA subscription on my Christmas DA Subscription Lottery! [Details are here: [link] ]
It's already been added to your account, so I hope you enjoy it and happy holidays!


"Thank you! But... I don't have time for this now..."

Quando falei sobre o devianART aqui, eu não estava brincando. Uma demonstração de viver em comunidade é isto, alguém (que não sei quem) me indicou para participar de uma espécie de "loteria de Natal" em que dez ganhadores iriam ter 3 meses de assinatura no DA. Ganhei.

Não é grande coisa, uma assinatura anual gira em torno de R$ 55,00 e você tem acesso a todas as suas estatísticas detalhadas, pode criar uma lista de amigos personalizada, colocar fotos e artes no seu jornal, entre uma variedade de opções que não estão disponíveis para usuários comuns (eu). Mas o fato da boa vontade do NotVeryAthletic em depositar o dinheiro para o DA de 10 pessoas que foram sorteadas, já é alguma coisa. Acho que foi o espírito natalino.

O interessante é que já vi muito disso por lá, sem ter sorteio. Vários designers e artistas brazucas já tiveram um ano inteiro de assinatura pago por fãs de suas artes. E acontece muito isso, pois você pode presentear com a assinatura quem você quiser.

Já imaginou se o Orkut tivesse alguma seção paga, por exemplo, para por fotos, textos e você ver suas estatísticas? Sabe quantas pessoas iriam te dar a assinatura, mesmo sendo talvez um valor irrisório? Pensou? É.

O único problema é que receber três meses de assinatura não vai me fazer voltar a postar coisa nova por lá. Juro que tentei achar alguma arte desse cara do Reino Unido para ilustrar este post, mas não achei nenhuma que me agradou, nem pra fazer média. Sorry. Não gosto muito de desenhos de "felinos em corpos humanos". Único que salva pra mim é Thundercats.

Arte: Remainaery | http://remainaery.deviantart.com
Arte: Remainaery

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O que você está esperando?

Falta uma semana para o início do novo ano, 2008. E o que mais escuto é: "2008 vai ser tudo novo", "vou começar no dia 1º", "não vou fazer isso, não vou fazer aquilo", "serei tal pessoa", e por aí vai. Ouço isso todos os anos e você também.

Quem nunca fez isso na vida? Todo mundo já fez. E todo ano é a mesma coisa. Talvez pelo fato de que o novo ano signifique mesmo vida nova, novos rumos, novos projetos e novos sonhos. Isso não deixa de ser verdade, é uma injeção de ânimo para aqueles que tiveram um ano ruim e para aqueles que tiveram um ano bom, é a esperança de continuar andando. Mas, por que tanta gente espera o 1º de janeiro para tentar mudar?

Se você é uma dessas pessoas que hoje, dia 25 de dezembro, pensa assim e já espalhou para meio mundo que no 1º de janeiro de 2008 você fará isso ou aquilo, suas chances de fracassar são grandes. Desculpe, mas é verdade.

Tudo isso porque você não precisa do 1º de janeiro para mudar. E se você está esperando, é porque já está acomodado demais com sua situação atual e afirmo que sua acomodação não irá mudar a partir do 1º de janeiro. Pode ser que você tente e consiga, mas a grande maioria (99%) irá fracassar. Sei que vontade você tem, aliás, vontade todo mundo tem. Mas há três coisas que talvez você não tenha: coragem, determinação e disciplina. Sem esses fatores, você não vai a lugar nenhum.

Você pode ter sucesso se aliar a sua vontade com a coragem, disciplina e a determinação em seguir seus novos objetivos de mudanças para viver algo novo em 2008. Mas não espere pelo 1º de janeiro. O risco pode ser grande. Você não precisa de um número, se quer realmente mudar. Não espere por algo simbólico, o 1º, que é apenas um número. Pode ser um número que você goste. Mas ainda assim é só um número. Uma data que vai cair numa terça-feira. E você, que sempre gostou mais das quartas e das sextas, escolheu a terça-feira para começar a mudança. A terça-feira que você nunca gostou.

Em 2007 você jurou que iria mudar. Mas olhe para você hoje. Em quê você mudou? Este post é para você pensar em uma coisa: se você imagina 2008 como sendo o seu ano de mudanças e de viver o novo, o que há de errado em começar uma semana antes? O que você está esperando? Um número? Você teve meses e meses e o final do ano chegou, você se acomodou e tudo que você prometeu e jurou no 1º de janeiro de 2007 simplesmente não aconteceu. Vontade você teve, mas não teve coragem, determinação, muito menos disciplina. E hoje você está aí, esperando por... um número!

Lembre-se que o novo só é novo quando acontece.

Você já deve ter visto o novo slogan da Ford? Há um hot site especial para o "novo", uma campanha interessante que mostra como Henry Ford buscou mudar e conseguiu fazer de seus sonhos uma realidade.

"O novo incomoda.
Por quê? Porque desafia.
Mas, queiram ou não, o novo sempre vem.
E, para nossa felicidade, o novo geralmente vence.
E, quando o novo vence, a máquina do mundo gira melhor.
Novos projetos deixam as tristezas numa agenda que não se abre mais.
Novas crianças surgem para nos dar as mãos.
Novos passos exigem de nós coragem.
O novo é belo porque nos muda, nos leva a novas estações.
O novo nos torna pessoas melhores, porque nos torna novas pessoas.
O novo é lindo.
Assim como os sonhos, o novo não envelhece.
Viva o novo."


É muito bom viver o novo. Em 2007 vivi coisas totalmente novas, experiências que compartilhei com muitas pessoas que hoje estão ao meu lado e outras que estão longe, mas a distância não separa os amigos e as coisas boas que passamos juntos. Tudo sempre estará em nossas mentes. É realmente bom viver o novo. Mas algumas coisas que pensei em viver e mudar, não consegui. E mesmo assim, 2007 foi mais do que imaginei.

Se você quer mudar, não precisa do 1º, nem do 5º ou do 16º. Você precisa de coragem, determinação e disciplina. O primeiro para você quebrar o gelo da acomodação que te envolve, o segundo para você ter forças para seguir em frente sem ter medo do novo e o terceiro para que você nunca se esqueça de continuar andando.

Então se no início você achou que este post era algo tão negativo, para mostrar que você não vai conseguir mudar em 2008, está enganado. É para mostrar que você não precisa esperar por um número ou uma data.

O que você está esperando? Por que não amanhã? Por que não hoje? Por que não agora?

Foto: Ssilence | http://ssilence.deviantart.com/
Foto: Ssilence

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

In the sea

Aproveitando o gancho do último post: Swallowed in the Sea. Inspirado na música do Coldplay? Sim. Uma das primeiras pinturas digitais que fiz com minha tablet Wacom, me levou 3 horas apenas. E pensar que fiz a Björk no mouse, 120 horas. Complicado, demais, mouse não foi feito pra pintar nada e ainda assim o resultado não ficou tão ruim.

Em breve pretendo comentar sobre essa maravilha chamada Wacom. Vai fazer dois anos que tenho ela e não sei como sobrevivi tanto tempo sem esta obra divina da engenharia. O que sinto pena é de não ter tempo para fazer pinturas digitais como antes. Está muito complicado e tem muita coisa pedindo finalização. Meu deviantART está uma lástima. Mais de 600 peças pra ver e cada dia aumentando. Vários comentários sem ler. Tempo. Quero tempo. Onde vende? E ando cansado, falta inspiração. E agora? Shutdown.

Arte: Tmargato | http://tmargato.deviantart.com/
Arte: Tmargato

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Missão secreta

Arte: Sc0pe | http://sc0pe.deviantart.comA mão-boba entrou no MASP. Três caras, em três minutos, levaram duas artes. Será que faltou tempo para levarem mais uma?

O Retrato de Suzanne Bloch, do pintor Pablo Picasso era uma delas. O Lavrador de Café, de Candido Portinari, a outra.

O MASP não tem alarme. Quer dizer, não tinha, até agora. Só faltava depois dessa deixarem sem ainda. O fato é que este roubo compromete a confiança nossa, coisa que já não é lá "grande coisa", e pode gerar um boicote dos museus do mundo para expor artes por aqui, por causa deste roubo. Palavras de Nelson Aguilar, professor de história da arte da Unicamp: "Para nós, que já temos poucas obras-primas, é um horror". E é mesmo.

Agora eu tenho que citar uma coisa que pode parecer estranha, mas não dá pra deixar passar. É um tipo de roubo interessante. Interessante porque não se vê todo dia e o que está em jogo não são apenas as peças de arte, mas sim o fato de "como, onde, por quê?". Falo da atmosfera que envolve, nesse caso, os três indivíduos que participaram do crime e até aonde irão chegar tal peças. Quem encomendou?

Pare pra pensar na elaboração. Tem uma pontinha de cinema nisso, não tem? Pode ser cinema brasileiro mesmo, não pense em algo tão hollywoodiano. Mas eu sempre imagino que do lado de fora haveria um furgão branco ou preto esperando para cantar pneus e sair em alta velocidade. Isso sim é coisa de Hollywood.

Pensar em roubos em museus me atrai, por causa do cinema. O filme pode ser o mais tosco que for, se tiver um roubo em museu ou galeria, já ganha ponto comigo. Até em desenhos isso acontece. No Discovery Kids tem um desenho chamado Backyardigans, que é um dos poucos hoje em dia que é gostoso de assistir. Admito que fui influenciado pelas minhas sobrinhas, mas o desenho te prende e é muito bom mesmo, assim como vários do Discovery. E o episódio mais legal deles é um que se chama Missão Secreta.

Backyardigans | Imagem: Divulgação"Shh! Os agentes secretos Pablo, Tyrone e Uniqua estão em missão secreta, em ritmo de tango, para ultrapassar o campo minado do Museu do Tesouro e devolver o tesouro a seu verdadeiro dono!".

É, na verdade não é um roubo, mas tem a atmosfera de suspense que merece. E parece ser bobinho demais, mas é legal, acredite.

Antes de mais nada, apesar de achar interessante, é claro que não sou a favor de roubos de artes em museus do mundo afora, muito pelo contrário. Só sou fã quando isso acontece no cinema e em alguns desenhos. Mas, se roubarem todas as artes de Romero Britto, não vou sentir falta de nenhuma.

Arte: Sc0pe
Imagem: Divulgação

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Declare Independence

Don't let them do that to you!

O clipe e a música mais Daft Punk da Björk até hoje, se é que você me entende. Björk sempre esteve no topo, mas a cada espasmo de genialidade dela eu fico mais apaixonado. I love her. Vida longa e próspera para a esquimó da voz mais linda de todos os tempos!

Raise your flag!



segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Lembra do MCM?

MCM | Imagem: DivulgaçãoMCM era um canal francês de música e videoclipes do mundo todo, que eu conheci em 2000. Sim, faz tempo. Você conhece? Lembra dele? Muita coisa chegava lá primeiro e vi tanto clipe bom que não chegou nem perto de ser mostrado pela MTV daqui. O canal ainda existe, mas deixou de ser transmitido em 2003 para a América Latina. Com certeza deixou uma legião de órfãos que passavam horas assistindo aos clipes e conhecendo músicas novas.

A primeira vez que vi Crystal do New Order foi lá. Clipe esse que tinha uma banda fictícia chamada The Killers, estampado na batera. Na época eu achei que a banda já existia, mas não, era tudo de mentira. Aí dois anos depois, adivinha? Foi lá também que vi a sequência dos clipes do Daft Punk do cd Discovery, os animes geniais de Leiji Matsumoto que fazem parte hoje do dvd Interstella 5555.

Mas alguns clipes ficaram na memória. E esses abaixo valem a pena ser vistos. Junior Jack com Thrill Me é tão bizarro que não tem como esquecer. Não sei se o clipe teve a continuidade que prometia no final, mas este te prende do começo ao fim.

Cassius com The Sound of Violence é vertiginoso, muito bonito de se ver. Röyksopp na época que Poor Leno foi lançado, clipe do menino-urso que é capturado das montanhas e levado para um zoo.

Mas dois clipes marcaram época do MCM e foram muito difíceis de achar.

Berenice - I'm Proud | Foto: ReproduçãoA começar com uma cantora chamada Berenice. A música é “I’m Proud”. É sobre uma garota que por onde passa causa problema. Até aí tudo bem, se não fosse o fato da cabeça dela começar a crescer e todo mundo reparar nela na rua. Até que ela vai ao cinema com uma cabeça enorme. Não tem como, é risada na certa. Pior, a música não é de todo ruim, é dançante e a letra tem tudo a ver com o clipe. No final ela vai cortar o cabelo, com a cabeça já de dois metros de diâmetro. Doente, mas vale a pena: Berenice - I'm Proud.

Outro clipe da época da MCM deu trabalho de anos pra achar. Vi ele apenas uma vez no canal e logo depois ele saiu da programação. Fiquei com ele na cabeça de tão retardado que ele é. Procurei por ele na net em 2004, 2005, 2006 e nada. A única coisa que eu lembrava do clipe era a história de um “homem-lama” que conhecia uma garota. Básico demais, como achar isso? Não lembrava o ritmo, língua, muito menos quem cantava.

Alex Gopher - Party People | Foto: ReproduçãoUsei tantas palavras-chave em inglês e até francês nesses anos todos e nada, até que chegou 2007 e tentei a mesma busca. Em inglês nada, em francês nada. Não sei o que deu em mim pra tentar em português: “clipe, homem, lama”. Bingo! Quarta ocorrência, um blog chamado Cliperama que é uma boa referência pra quem procura clipes por categoria. Acabei linkando ele na lista do Blogroll.

Após tanto tempo de busca, finalmente: Alex Gopher com Party People. Eletrônica, mas sinceramente eu nunca ouvi nada desse cara além dessa música. O clipe dispensa comentários, só assistindo para acreditar na loucura! Não tem como ficar indiferente com o relacionamento da mulher e do homem-lama, que por sinal usa um cuecão branco, penteia o “cabelo” e joga tênis. O final consegue superar o clipe inteiro, é o que mais marca nessa experiência “lamacenta”.



São pérolas do MCM, que deixaram saudades. Hoje por sorte temos o YouTube, mas mesmo assim, nada se comparava a ficar deitado no sofá esperando pelo próximo clipe que vinha da França, Alemanha, Noruega, Japão e afins. Sem ter que clicar em nada e ainda ser surpreendido. Bom, mesmo.

Imagem: Divulgação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

domingo, 16 de dezembro de 2007

Transformers

Quem assistia Transformers na primeira geração vai entender muito bem tudo que vou falar. A G1, como é conhecida, é a melhor série dos Transformers. Não que as outras sejam ruins (Beast Wars era muito bom), mas é como a trilogia clássica de Star Wars: é nela que são criadas as ligações mais importantes entre os personagens, que marcaram os nomes de cada um e que fez brotar a magia de Transformers na década de 80.

E felizmente, pra quem assistia a G1, o filme do Michael Bay é tudo o que acontece na G1. É tudo, mas nos dias de hoje. É como se a G1 de antigamente fosse criada agora em 2007, com um Camaro no lugar de um Fusca, com um caminhão Peterbilt no lugar do original com frente reta e um Megatron que invés de ser uma arma de punho (acredite, ele era) é uma nave de Cybertron.

A mesma atmosfera que envolvia o desenho da G1 está no filme. Talvez pela voz imponente do Optimus Prime criada por Peter Cullen ou pelo apelo emotivo de Bumblebee, ou pela destruição que o Starscream provoca e o medo que o Megatron passa no filme. É tudo como se fosse o desenho. As falas, as atuações dos automatos são perfeitas. Dignas para quem esperou tanto tempo. Quem é fã do desenho ficou feliz e com certeza não está ligando mais para as “chamas” na carroceria do Optimus Prime, nem pela boca inédita que Michael Bay quis por nele.

Transformers | Foto: Divulgação
Transformers só não fez a maior bilheteria de 2007 porque a concorrência foi grande como Piratas do Caribe, Shrek, Harry Potter, Homem-Aranha e outros, em um ano cheio de blockbusters. Mas as críticas negativas tentaram colocar o filme numa maré de negatividade e isso veio de todos os lados, salvo raras exceções. Mesmo assim, Transformers foi a 3ª maior bilheteria do ano com $320 milhões de dólares.

O filme é divertido, pra quem esperava talvez uma história boba. Ainda pode ser boba pelo absurdo, mas é um absurdo que convence na tela, pelo menos. O roteiro possui algumas falhas de entendimento sim, mas a diversão compensa. O humor no filme é bem dosado, com as cenas do Bumblebee e as 'deixas' do rádio na cena em que Sam está com Mikaela. Há tempos não via um humor tão bem empregado.

Pra quem é fã do desenho (alguém como eu), o filme e as transformações foram de cair o queixo. E fica claro que hoje não há mais limite para construir personagens complexos em 3d. Algumas cenas de transformações eu chegava a pensar "não acredito que fizeram isso". Pra mim é um marco nos efeitos especiais, assim como foi Matrix em 1999.

Falando dos Autobots e Decepticons, senti falta de uma coisa, mais união dos Decepticons. Falas mais elaboradas para os planos deles e um tempo maior para alguns. Starscream, incrível como tiraram ele do desenho e colocaram no filme. Ele é simplesmente ele. E Megatron, há quanto tempo não havia um vilão como ele nas telas do cinema? Ouso comparar a imagem do Megatron a de Darth Vader, em matéria de imponência.

O Camaro Bumblebee tem a alma do Fusca. E Optimus Prime: “Autobots, transform and roll out!”. Perfeito. Mais líder impossível, o trabalho que fizeram no Optimus é inacreditável. Como os outros, ele é ele, com boca ou sem, não importa. "One shall stand, one shall fall". Essa frase foi usada no filme de 1986 e foi uma bela homenagem aos fãs.

Fica complicado pedir atuações boas em um filme de ação/ficção onde você contracena com personagens que não existem. Mas Shia LeBoeuf rouba o filme. Ele acredita piamente que os robôs estão ali, talvez a melhor atuação de um ator com personagens 3d até hoje, tamanha é a carga de emoção que ele transmite.

Transformers é uma realização de quem sempre sonhou com um filme deles. Ver tanta referência e tanta coisa jogada direto do desenho pra tela, Michael Bay me surpreendeu, e se antes eu tinha medo de ver Transformers nas mãos dele, hoje fico feliz em saber que ele irá seguir a trilogia com Steven Spielberg. Não tinha outro nome para dirigir a não ser o dele, Tranformers é a cara de Michael Bay, altas doses de explosões, cenas em ângulos inimagináveis e humor sarcástico.

Agora é esperar pela continuidade, mas se você ainda não viu o filme, veja. Não posso te garantir um filme cult, mas garanto boa diversão e queixo caído nas 2h23min de filme.

Transformers
Foto: Divulgação
Ilustração: Headwires

sábado, 15 de dezembro de 2007

Combatendo o aquecimento global

Desculpem a reprodução sem fazer comentários, mas esta notícia é muito importante. Leitura recomendada.

Encontro de Bali lança negociações históricas sobre o clima
Por Emma Graham-Harrison, da Reuters

NUSA DUA, Indonésia (Reuters) - Cerca de 200 nações entraram em acordo, no sábado (15/12), durante as conversações lideradas pela ONU em Bali para lançar uma rodada de negociações sobre um novo pacto para combater o aquecimento global, após uma concessão dos Estados Unidos permitir um avanço histórico.

Washington afirmou que o acordo marca um novo capítulo na diplomacia relacionada ao clima após seis anos de disputas com grandes aliados desde que o presidente George W. Bush se recusou a participar do protocolo de Kyoto em 2001, o principal tratado existente para combater o aquecimento.

"Este é um momento decisivo para mim e para o meu mandato como secretário-geral", disse Ban Ki-moon, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, após retornar a Bali para implorar aos delegados para que superassem as diferenças, no primeiro dia de prolongamento do prazo das negociações.

Ban estava em uma visita a Timor Leste. "Estou profundamente grato a muitos países-membros pela flexibilidade e pelas concessões", disse Ban à Reuters.

O encontro de Bali aprovou um "mapa" para dois anos de negociações para a adoção de um novo tratado que substitua o de Kyoto, a partir de 2012, abrangendo nações como os Estados Unidos e países em desenvolvimento como China e Índia. Sob o acordo, o tratado que sucederá Kyoto será definido em Copenhagem no fim de 2009.

O acordo, após duas semanas de negociações, ocorreu após os Estados Unidos dramaticamente retirarem a oposição a uma proposta dos países do G7 --o grupo dos sete países mais industrializados do mundo-- para que as nações ricas façam mais para ajudar os países em desenvolvimento na luta contra o aumento da emissão de gases de efeito estufa.

O ministro do Meio Ambiente da Indonésia, Rachmatg Witoelar, bateu o martelo do acordo sob aplausos de delegados, desgastados após negociações intensas e numerosas disputas nos últimos 15 dias.

"Eu acho encorajador. Esse é um sinal real de disposição para um acordo", disse Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU.

Acomodações

A União Européia ficou satisfeita com o acordo.

"Era exatamente o que queríamos", disse Humberto Rosa, chefe da delegação da União Européia. "Nós teremos agora dois anos tremendamente exigentes, começando em janeiro."

Um pacto em 2009 dará tempos aos governos para ratificar o acordo e dar certeza aos mercados e investidores interessados em adotar tecnologias de energia limpa, como turbinas de vento e painéis solares.

O tratado de Kyoto obriga a todos os países industrializados, exceto os Estados Unidos, a cortar emissões de gases de efeito estufa entre 2008 e 2012. Nações em desenvolvimento são dispensadas. As novas negociações vão procurar integrar todos os países no controle das emissões a partir de 2013.

"Não há dúvidas de que abrimos uma nova página e estamos avançando", disse James Connaughton, chairman do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca, em Bali.

Os Estados Unidos são o maior emissor de gases de efeito estufa, à frente da China, Rússia e Índia.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Novidades de À Prova de Tudo

Foto: Accumulate | http://accumulate.deviantart.com/Descobri que Bear Grylls tem um blog. Atualizado de tempos em tempos, ele manda notícias sobre o programa.

Novas filmagens da nova temporada estão sendo na Sibéria, grande região desértica da Rússia que segundo ele é o fim do mundo literalmente. E ainda no inverno de lá, temperaturas que podem chegar a -25º durante o dia. Diz que é um lugar que ele sempre sonhou em filmar desde que começou o programa, mas que está nervoso demais pelas dificuldades. Se eu fosse ele pediria ajuda para o Hyoga de Cisne (Cavaleiros do Zodíaco, lembra desse?). Ao lado uma foto aérea da Sibéria: rocha, gelo e ninguém numa área de 10.007.400 km² que corresponde a 58% da Rússia. Na boa, é grande.

Outra notícia interessante, o Discovery Channel tem planos de colocar pessoas comuns junto com Bear Grylls. A idéia é colocar um casal, pai e filho, ou dois amigos, ou até celebridades para fazer um novo programa, mas nos mesmos moldes de À Prova de Tudo. Bear Grylls irá avaliar cada um deles, ver como eles se saem e de repente ajudar em alguns casos. Espero que seja com pessoas desconhecidas mesmo.

Enquanto a nova temporada não chega, você vê a segunda no Discovery Channel, toda segunda às 21 horas.

Foto: Accumulate

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MySpace Brasil

Arte: Gucken | http://gucken.deviantart.com/

Com o tempo a gente aprende a não dar nomes aos próximos posts. Bleh, acontece. Disse que não ia falar sobre Web e vou falar antes do que eu queria. Fazer o que, ninguém manda o mundo e as idéias serem tão dinâmicas assim. Não desisti do assunto ideologia, antes que você se esqueça.

Sexta-feira agora estréia oficialmente o MySpace em português. Novidade pra mim, eu nem sabia que tinha projeto em portuga pra ele. Acho que estou meio desatualizado, ou melhor, acho que estou sem tempo pra me informar mais sobre Web, o mesmo tempo que era tema deste post que agora é sobre Web (!).

Enfim, fica claro que ele vem pra competir com o Orkut, algo meio complicado, mas não impossível. Quem achava que o ICQ era eterno, veio o MSN e roubou todos os contatos. Restou o charme do ICQ, que ainda deve ser utilizado por muita gente, acredito.

Sobre o MySpace. O problema principal dele é deixar o HTML nas mãos de leigos. E me desculpe se você é leigo, leigo é aquele que "mexe", sabe? Ou seja, 99% sabe "mexer" no HTML, "mexer" no Photoshop, "mexer" no Flash. Parece uma receita de bolo: "coloca todos os ingredientes e mexe tudo".

Quantas páginas "mexidas" por usuários do MySpace já vi, que não vale nem comentar. É sofrível. Mas se você quiser rir, ou melhor, chorar, aí vai um belo exemplo: TheDarkCristal.

Chorou? Fala pra mim se é ou não é um crime visual contra o bom design e o bom senso? Isso aliado ao fraco layout, estrutura de links e acessibilidade que o próprio MySpace por natureza já possui, que carece e muito de tudo isso. Se já vejo crimes contra o HTML no próprio Orkut, onde por enquanto e felizmente pouca coisa é customizável, no MySpace tudo se torna gigante e visível. Realmente, HTML nas mãos de leigos é uma arma.

O fato é que o MySpace é pesado em todos os sentidos. Pesado em suas páginas, pesado em sua atmosfera, pesado em seus banners. Pra ajudar, o usuário sem noção do que fazer com as possibilidades de formatação, lotam as páginas com tudo o que há de mais "lindo e fofinho" no mundo do "design caseiro". Isso é tão forte lá que algumas páginas podem ser consideradas raridades, tamanho é o retrocesso que algumas aparentam, como se você estivesse visitando uma página web de 1997. Chega a ser nostálgico, admito.

Não tenho conta lá, nem pretendo ter, mas acesso as páginas das bandas que conseguem ser boas, pelo menos pra isso o MySpace serve, um canal direto do fã com sua banda preferida, coisa que o Orkut ainda não tem e talvez nunca terá.

Resta esperar e ver se o brasileiro vai abraçar o MySpace como abraçou o Orkut. Coisa que eu duvido.

Ah e uma dica, não deixe de visitar a página da TheDarkCristal antes do Natal, está imperdível. Uma verdadeira tarantela natalina. Cuidado com os pesadelos.

Arte: Gucken

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Ecos do hype

Acho que o bonde passou ou tá passando: "Bonde do Rolê anuncia saída da cantora Marina".

Estava na capa do G1. Não vale falar que eu "sequei" o Bonde. Agora que milhares de pessoas irão perder o sono mesmo.

Não quero falar de Web

Simples assim. Só porque agora não é a hora. Pode ser estranho um Web Designer ter um blog e não falar do seu trabalho e tudo mais, mas é fim de ano e eu realmente não estou com tempo nem com cabeça pra falar de Web. Por isso evito o quanto posso.

Mas já sei qual será o primeiro tema do post sobre Web: ideologia. Projetos com idéias inovadoras e projetos com idéias ultrapassadas que possuem algo em comum, a ideologia. O que mais eles possuem em comum? A falta de planejamento, conhecimento mínimo de administração e principalmente a não aceitação de novas idéias, sugestões, críticas e desperdício de parcerias reais que aparecem a cada dia. It's not easy.

Devo? Só o tempo dirá. O mesmo tempo que será o tema do próximo post.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Essa vale, Vale?

Então você com certeza já viu o novo comercial da Vale do Rio Doce na TV, certo? Então você ficou sabendo que agora é somente Vale, certo?

Então agora você fica sabendo que o novo logotipo pode ser considerado, não um plágio propriamente dito, mas uma cópia de fatores de alguns logotipos já existentes.

O link para você tirar suas conclusões é este aqui.

A pergunta é: vale, Vale?

Dica do meu amigo Samuel, geek por natureza, assim como eu.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Kill Hype: Vol. 2

Foto: AcidLullaby | http://acidlullaby.deviantart.comSegundo volume da saga do maldito hype. Será que chegarei numa conclusão final? Provavelmente, talvez (!). Minha visão inicial sobre o mesmo já está cravada aqui, mas o final é mais problemático. E aí entra Zeca Camargo e Bonde do Rolê.

Leio o blog do Zeca desde o início e um post em agosto deste ano me chamou atenção: “Bonde do Rolê. Sério”. Primeira coisa que pensei foi “como assim, sério?”. Zeca Camargo e Bonde do Rolê, que combinação é essa? Estranho? Sim se você pensar que Zeca é um bom jornalista multimídia que tem uma bagagem cultural e musical das mais vastas deste país, alguém que acumulou centenas de entrevistas com personagens do mundo da música ao longo desses tantos anos. Ou seja, raramente você encontrará alguém que entenda de tudo um pouco (e às vezes muito) sobre estilos, bandas, cantores, canções, culturas e afins como este cara entende.

Neste post em específico ele cita que o brasileiro tem mania de diminuir ou desconfiar de um produto musical que fez sucesso primeiro lá fora, para depois desembarcar por aqui. Aconteceu isso com CSS e com Bonde do Rolê, duas bandas que hoje possuem o maior hype lá fora.

Vou reproduzir aqui algumas partes para que o entendimento fique mais fácil:

”(...) Mas o fato é que fui vencido na minha resistência - e resolvi superar todos esses preconceitos ao me deparar, bem na entrada de uma loja de música que eu respeito, em Londres, com o EP de “Office boy” (...)”

”(...) A primeira sensação veio sem pensar: o mundo está de cabeça para baixo. Era isso mesmo que eu estava vendo? Era. Resolvi comprar o EP - vinil, só para lembrar de quando eu era mesmo um DJ (para ser honesto, eu nem tinha opção: só encontrei esse lançamento nesse formato). E, aos poucos, o mundo foi voltando a fazer sentido. (...)”

”(...) Ah, mas gostar de Bonde do Rolê? Para que perder tempo com “Office boy” - ou mesmo com o resto do disco deles? (...)”


Assim como eu fui vencido pela minha resistência com Amy Winehouse, ele foi vencido pelo Bonde do Rolê. E quem “indicou” o EP foi a loja em Londres que ele mais respeita.

Bonde do Rolê | Foto: HeadwiresVi o show do Bonde no Skol Beats 2007. Estava fazendo a cobertura e na sala de imprensa (e que sala!) na sexta-feira não se falava em outra coisa a não ser: “não esquece que já vai começar o show do Bonde!”, isso entre jornalistas do G1, UOL, Terra, RRAURL, Psyte e outros.

Até então, assim como ocorreu com Amy Winehouse, eu nunca tinha ouvido nada do Bonde, apenas lido e já sabia que eles tinham um hype poderoso. E com tantos comentários acabei virando pro Samuel e falei: “cara, a gente não pode perder esse show”. É o hype fazendo efeito, de novo.

Saímos da sala de imprensa, o show já havia começado e caminhamos até o Live Stage. De longe já ouvi o riff de Blue Monday do New Order e comentei: “começou bem!”. Cada vez chegando mais perto do palco, eles iam aumentando. Mas foi só. E só não foi triste, porque chegou a ser engraçado. Acompanhamos 45 minutos do show, que foi suficiente para tirar algumas conclusões. Abaixo segue o que escrevi sobre eles na matéria que fizemos na época, maio de 2007:

”(...) Bonde do Rolê, pra animar a noite

Talvez a apresentação menos técnica da noite, porém uma das mais divertidas. Se você também nunca ouviu Bonde do Rolê, certamente já deve ter ouvido falar. Mas não espere que as músicas deles toquem nas rádios, nem mesmo que eles apareçam no Domingão do Faustão. A banda, formada por três curitibanos (Rodrigo Gorky, Pedro D'Eyrot e a vocalista Marina Ribatski) possui um repertório cheio: cheio de palavrões e rimas inusitadas, um estilo que lembra Mamonas Assassinas, mas sem toda aquela fantasia que eles tinham.

Com uma mistura de samplers do rock dos anos 80 e batidas de funk carioca, a banda agitou o público no Live Stage com seus sucessos Melô do Tabaco, Solta o Frango, Ventuinha Mentirosa, entre outros. Um projeto despretensioso, que está tomando forma no mundo todo com a ajuda do DJ americano Diplo. A banda foi eleita pela revista Rolling Stone uma das 10 bandas para se ligar no mundo. Será? (...)”


Bonde do Rolê | Foto: HeadwiresEis a pergunta: será? Confesso que errei, o correto era: por quê? Por qual motivo devo se ligar no Bonde do Rolê, Rolling Stone? O que vou perder? São dançantes? Sim, mas qual funk não é? Possuem letras hilárias? Sim, mas não tem conteúdo algum. Sou chato? Não! No show foi divertido, aliás era visível que todos davam risada com as letras, mas porque devo comprar o cd (ou vinil, como o Zeca fez) e escutar isso em casa, no meu MP3 ou no carro?

”Por causa do hype, Thiago” – responde a Rolling Stone.
”Mas eu não quero ouvir isso, cara-pálida!” – enfatiza Thiago.
”Não interessa, você não entende nada de música, eles são o futuro, ouve aí e fica na boa” – grita a Rolling Stone.

Lembra do primeiro post que citei como a mídia empurra essas coisas goela abaixo como sendo o “santo graal” da música? Olha a Rolling Stone aí fazendo a parte dela, assim como a loja de respeito do Zeca fez com o próprio Bonde. O fato é que eles ao vivo num festival, todo mundo leva numa boa. É quase como foi Spank Rock no Tim Festival 2007, muita gente dançou e aplaudiu, mas no final todo mundo saiu falando “que bosta de Spank Rock!”.

Tem como negar o hype do Bonde do Rolê? Não. Agora, tem como imaginar um gringo tentando entender uma letra assim: “a gente somos lindo, a gente somos inteligente, a gente somos o trio mais foda, a gente somos delinqüente, alegria da moçada, da perua à favelada, nosso som é fantasia pra mamãe, vovó, titia, rolê, rolê, rolê, solta o frango e vem com a gente”.

”Ow genial!”. Será que é isso que o gringo pensa, ou na verdade ele nem pensa? Será que foi isso que Zeca pensou ao dizer:

”(...) Mas eu vou sugerir aqui que você escute sim - e goste - do Bonde do Rolê. Não são melhores do que meia dúzia de pequenos delírios recentes das pistas de dança (como Junior Senior, por exemplo), nem piores do que a maior parte do horário das 18h às 19h nas rádios comerciais. (...)”

Zeca foi vencido pelo hype do Bonde do Rolê? Assim como muita gente foi e ainda vai ser? Porque, para este que escreve, o Bonde não vale muita coisa, quase nada. Aliás, o show é tão descompassado que há erros técnicos de mixagem nas músicas, além de diálogos entre os três integrantes que realmente não interessa ao público, típicas piadinhas internas.

Mas há uma verdade que remete ao hype e que Zeca deixou explícita no blog dele, segue abaixo:

”(...) Quem, como eu, chega atrasado à “descoberta” tem poucas opções. Se falar que gosta, à essa altura, vão dizer que é porque agora que a banda faz sucesso lá fora, você está pegando uma carona na “modinha”. Se ignorar, vai ser mais um mané que se junta ao enorme time de programadores de FMs convencionais que simplesmente desejariam que a banda nunca tivesse existido assim eles não teriam de se lembrar, a cada playlist que fecham, que eles estão deixando de fora um incômodo “hit” internacional. Se ouvir escondido, vai se sentir reprimido e com medo de que alguém do seu lado perceba e isso manche para sempre sua reputação. O que fazer? (...)”

Ele cita hype sem mesmo escrever a palavra. Cheguei atrasado a “descoberta” de Amy Winehouse. Será que estou entrando na modinha de gostar da música dela agora ou achei o trabalho dela realmente bom? Será que o Zeca entrou na modinha do Bonde ou pra ele o Bonde é tudo isso? Será que meus amigos que gostam do White Stripes tiveram uma forcinha do hype por trás? No bom sentido da palavra, diga-se de passagem.

E tem como chegar numa conclusão definitiva sobre tudo isso? Não! Mas acredito que há como discernir boas bandas e bandas ruins, buscando entender como funciona esse hype tão poderoso que algumas possuem, sem entrar em conflito de gostos pessoais, apesar de ainda sentir que sempre haverá estas questões pessoais no caminho.

Foto: AdamMcCartney | http://adam-mccartney.deviantart.comMinha idéia de hype poderoso é de uma bolha, que nesse caso, começa a crescer rapidamente e se torna um escudo forte que absorve tudo, qualquer tipo de crítica e que vale mais do que a própria banda. Ou seja, se eu criticar quem possui o escudo do hype, posso ser taxado de um monte de coisa e pra ajudar, essa bolha toma mais forma ainda. Ela só vem a somar, tanto para o negativo quanto para o positivo. Diferentemente de algo que não possui a bolha do hype, pois esta quando recebe críticas negativas podem abalar seus alicerces e acabar com suas estruturas.

Já participei de uma palestra onde o famoso hype foi tema. Analisando com calma, você irá perceber que de repente, aquele produto que você consome tem mais nome do que qualidade. E aquele que você julga ruim, na verdade pode ser melhor. A diferença é que ele não tem o hype dos outros grandes. Quem disse que Skol desce redondo? Quem disse que a Coca-Cola é o melhor refrigerante do mundo? E que o Big Mac é o melhor lanche?

Não sei se as coisas ficaram mais claras. Tu pode achar que o que falei sobre White Stripes, Amy Winehouse e Bonde do Rolê signifique meu gosto pessoal, mas posso afirmar que tentei ter um pouco de discernimento, algo que todo mundo tem.

Pra finalizar, no mesmo post do Zeca, ele acaba citando isso:

”(...) Sob pena de comprar alguns inimigos, segue aqui uma breve relação. Eu não gosto de “Senhor dos anéis”, nem de “Piratas do Caribe”. (...) Não gosto de Coldplay, nem de Kaiser Chiefs, nem de Interpol. (...)”

Ao contrário, gosto de todos esses. Mas não posso ficar indignado se ele não curte Coldplay, que pra mim é uma “senhora” banda. Nem posso falar que ele não entende nada de música, se isso significa o gosto pessoal dele. Até porque dos cinco citados por ele ao meu ver nunca possuíram um hype forçado pela mídia como White Stripes, Amy Winehouse e Bonde do Rolê, para o mal ou para o bem, acredito que andaram em cordas bambas para ser o que são, diferentemente de ser algo imposto.

Mas será que agora no final vou chegar a conclusão de que tudo se trata de gosto pessoal e que o hype que estou falando não existe? Não, não é possível. Ele existe, está na cara e todo mundo percebe, pois ele influencia de alguma forma. A diferença é que a maioria das pessoas não admitem isso.

”Gosto é gosto, basta respeitar”. Mesmo sendo uma tarefa difícil alguma das vezes, pra todo mundo. Está na hora de parar de esconder ou fingir certas coisas, confesse, as vezes é difícil aceitar tal gosto de uma pessoa. “Cada um, cada um” nunca foi o meu forte, aliás, nunca gostei dessa frase. Eu conheço pessoas que gostam de cada coisa que dá vontade de pegar a cabeça delas e bater na parede pra ver se acordam. Mas não posso, eu tenho que respeitar. Mas confesso, dá vontade!

Agora, admitir a importância do hype e como ele cria “gênios” e “famosos” instantâneos hoje é digno de discussão. Parece que tudo está muito fácil, Bonde, White Stripes e Amy Winehouse são exemplos disso.

O fato é que, amando ou odiando, um dia o hype irá te pegar de novo, assim como já pegou você e pegou a mim, algumas vezes. Admita!

Arte: AcidLullaby
Foto: Headwires
Foto: Headwires
Foto: AdamMcCartney

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Kill Hype: Vol. 1

Foto: FishTea | http://fishtea.deviantart.com/Post divido em dois volumes, posts para uma semana, talvez um mês.

Em uma discussão “saudável” que não tinha muito propósito com uma amiga minha, eu mandei: “Não acredito que você gosta de White Stripes!”. Em seguida acabei indicando Interpol e ela mandou: “mas eles (White Stripes) tem um estilo interessante ateh vai! e eu não curti interpol qd escutei! =/”.

Vou citar quatro nomes: Amy Winehouse e White Stripes na primeira parte, Zeca Camargo e Bonde do Rolê na segunda. Não, não tente entender a segunda parte antes de ler a primeira, nem entender a primeira sem ler a segunda, porque até então nada parece ter sentido, eu sei. Vou comentar, na minha concepção é claro, como há diferenças entre bandas e cantores quando se cria o hype em cima deles. Culpa da mídia que atira para todos os lados e que recebe bem pra isso.

A verdade é que várias pessoas que conheço gostam de White Stripes. Outras já ouviram Amy Winehouse. Outras nem sabem da onde saiu o Bonde do Rolê. Alguns lêem o Blog do Zeca Camargo, assim como eu. Que mistura, não? Mas talvez ao final dos dois volumes, você não fique tão perdido.

Então estes dois volumes tentarão buscar o outro lado da moeda. Quem de nós já foi alvo do hype? Todos? Ou você nunca foi?

White Stripes | Foto: DivulgaçãoComeçando pelo hype de White Stripes, a banda mais inventada dos últimos tempos, com o maior hype dos últimos anos, mas também com o pior conteúdo musical desde quando nasceram. E isso parece que se perpetuará até a eternidade. Alguém falou para os dois que eles eram músicos e, adivinha, eles acreditaram.

Começaram ruins como instrumentistas e estão até hoje, nada de evolução. A voz do Senhor White é triste aos ouvidos e uma criança de cinco anos com uma bateria dá conta do que a Senhorita White faz. Ela só não é mais ruim, limitada e poser porque não tem por onde. É visível que ela sabe o básico do básico do instrumento e você não precisa ser músico e nem ter tocado bateria para notar isso. Juro que tenho vergonha de ver ela tocando. Prefiro uma criança fazendo som com uma lata de Nescau e uma colher, pelo menos é divertido.

Mas na época do “boom”, foi genial tocar mal e ter apenas guitarra e bateria, certas vezes um teclado pra dar uma “quebrada”, sabe como é?

Como ninguém pensou nisso antes? Só guitarra e bateria. Genial. Baquetas em destaque (!) “tic, tac, tep, tip”. Seven Nation Army, que “parece” que tem baixo, mas não tem. Até nisso eles são bons, simular instrumentos, ainda mais o baixo que segundo o Senhor White nunca terá na banda deles (sorte de todos os baixistas do mundo). Pronto, são gênios. A pergunta é, será que é cult gostar de White Stripes ou eles são bons mesmo? Ou será que eu sou assim, tão limitado a ponto de não conseguir enxergar nada, absolutamente nada de tudo que foi, digamos, imposto sobre eles?

O fato é que nem me esforçando (e olha que tentei) consegui ver algo de bom neles. Nem com Seven Nation Army, que não vou negar, é a menos ruim. Mas não adianta, White Stripes é a força da mídia, que enfiou goela abaixo com tantas críticas “positivas” dizendo que eles eram novos gênios do rock. Me desculpe mas não, não são. Aliás estão longe disso, muito longe. O hype deles não funcionou comigo.

Amy Winehouse | Foto: DivulgaçãoEntão é hora de falar do hype de Amy Winehouse. Não, não sei da onde, nem o por quê, nem o início. Eu só sei que já faz quase um ano que eu só tenho lido sobre Amy Winehouse e suas loucuras, mas principalmente as críticas positivas de todos os lados sobre seu lado musical, que é o que interessa. E mesmo assim me fez pegar repulsão da imagem dela, sem antes ouvir, principalmente porque quando a esmola é demais os santos desconfiam mesmo.

Notícias como cancelamentos de shows, vaias, andanças de sutiã pelas ruas de Londres dizendo palavras sem nexo e sua vida com as drogas não surtiram efeito para eu tentar ouvir absolutamente nada dela.

Até que li uma notícia esses dias que pareceu abalar o mundo: “Amy Winehouse cancela shows até o final do ano por falta de amor”. Até as bolsas de valores fecharam em baixa no dia. "Sinto muito, mas eu não quero fazer os shows sem muita empolgação; eu amo cantar. Meu marido é tudo para mim e sem ele eu simplesmente não sou a mesma.".

Pensei, “e daí, senhorita?”. Não faço idéia de quem seja o sujeito, não fui atrás para saber também. Por que tanta importância se ela vai cancelar todos os shows? Até então, por mim ela pararia até de cantar! E foi aí que esse hype todo dela entrou em ação. Dei uma chance antes de acabar com ela de vez, eu precisava ter certeza de que a imagem que eu tinha dela era como a música que eu imaginava dela. Demorou um ano, mas fui atrás das músicas dessa doida.

Eis que bastou ouvir 30 segundos (eu juro) da música Back to Black pra dar de cara com a porta. E foi uma batida forte. Que voz é essa? Onde, como, por que? Fiquei perdido. Ah, hype! Com Amy você funcionou bem, e admito, caí na sua armadilha. Não precisei de mais tempo pra definir Amy Winehouse. E chego a pensar, porque não dei chance a você, tão odiado e ao mesmo tempo querido hype?

Sim, Amy Winehouse faz jus às críticas. E que voz bonita e forte essa mulher tem. Ela é uma viagem gostosa no tempo, totalmente retrô. Sua música é uma delícia. Back to Black é um soul típico de fim de noite, fácil de se imaginar bares fechando, garçons varrendo o chão, lavando os copos, aquela luz baixa e você no mezanino girando o copo quase vazio às quatro horas da manhã, vendo no palco uma cantora solitária de vestido longo vermelho cantando para meia dúzia de amargos. É ela, sem tirar nem por.

Mas Amy Winehouse também é a força da mídia, que assim como White Stripes, enfiou goela abaixo com tantas críticas “positivas” dizendo que ela é uma nova diva do soul music. A diferença nesse caso é que o hype de Amy funcionou comigo.

E agora? O hype de White Stripes não surtiu efeito, mas o hype de Amy Winehouse me fez entrar no mundo musical dela. Será que isso tem a ver com gosto musical e afinidade, ou é questão de saber discernir o que é bom e o que não é?

O assunto não é tão superficial assim e deixar as coisas pela metade só gera mais interrogação. Só vou chegar onde eu quero no volume dois.

Não perca o próximo capítulo.

Foto: FishTea
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Boas novas desta quarta

Batman - O Cavaleiro das Trevas | Imagem: DivulgaçãoÉ o dia rendeu, e muito! Ao lado você vê o teaser poster de The Dark Knight (Batman, o Cavaleiro das Trevas), continuação do excelente Batman Begins. Excelente porque é o primeiro filme do Batman no cinema. Não, os antigos não valem nada. Why so serious? Simplesmente genial! E nosso amigo Coringa ao que tudo indica será o grande nome do filme.

Aqui você vê um vídeo de Speed Racer que mostra o Corredor X e seu "carrinho" de corrida. Alguém tem dúvida de que será um dos blockbusters de 2008?

Pra finalizar este post nerd desta quarta-feira chuvosa e trabalhosa, Homem de Ferro! 2008 será um bom ano para os nerds, sem dúvida. E viva as HQs.

Ironman - Homem de Ferro | Foto: Divulgação
Imagem: Divulgação
Foto: Divulgação

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Hype

Tema do próximo post. Tema complicado do próximo post, já adianto. O que White Stripes, Amy Winehouse, Bonde do Rolê e Zeca Camargo podem ter em comum?

Jornal da Band

Não percam o Jornal da Band esta semana. Ele está impagável. A Band "entrou com tudo" na TV digital, dá até gosto de ver. Cenário novo, mais maquiagem para esconder as imperfeições dos apresentadores, enfim, tá tudo muito lindo. Aquela voz que abre o programa está mais forte, a música mais alta, a introdução digna de cinema e você é obrigado a ouvir: "Este é o Jornal da Band, em ALTA DEFINIÇÃO!".

High definition! Cadê o champanhe?

Enquanto isso na tela de 99% da população, continua a mesma tralha de sempre. Viva o hype.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

TV digital: pra quem?

Arte: DigitalRampage | http://digitalrampage.deviantart.com/Marque este dia 3 de dezembro de 2007. Ele é histórico. A primeira segunda-feira após o Corinthians ter sido rebaixado para a segundona. Mas mais importante é a estréia do maior engodo, ops, quer dizer, da TV digital no Brasil. Essa sim é a última grande notícia (e a maior mentira) deste ano.

Não sabe o que vai mudar na sua TV? Calma, não se assuste, porque não vai mudar nada. Não agora. Você terá até 2016 para aceitar essa mudança, ou seja, não se desespere, há tempo.

As transmissões da TV digital estréiam hoje na Grande São Paulo. Mudanças de imediato, só para quem já tiver um conversor digital na sua TV. Você não tem? Não é um pecado e você não estará perdendo nada, até porque só meia dúzia possuem tal aparelho. E onde tu acha esse aparelho? Calma também, não dou uma semana para ele aparecer nos comerciais das Casas Bahia em parcelas de 72x. O valor dele atual? R$ 700,00. Sim, pode acreditar! Mas comprar vai ser fácil, não se preocupe, as lojas irão aproveitar de sua ingenuidade e do seu suado dinheiro para fazer você comprar o conversor e porque não, uma TV de alta definição Full HD LCD de 70"? Não vai aproveitar a oferta? Corra, é só até amanhã!

O fato é que as emissoras de TV e o Governo irão fazer (e já estão fazendo) o maior estardalhaço sobre essa tecnologia que o Brasil ainda está engatinhando. O que eles não admitem é que até 2010, a TV digital caseira será para poucos, principalmente porque as pessoas terão sim custos para fazer a conversão e ainda, para se ter a experiência completa só mesmo possuindo uma TV de alta definição e um sistema de som 5.1, e se não bastasse, esperar das emissoras quais os programas serão mesmo em transmissão digital, pois agora de início, pouca coisa será transmitida nesse formato.

O que nós podemos esperar com entusiasmo (ufa, tem a parte boa) é que agora poderemos ter sinal digital da TV nos nossos computadores e também em nossos celulares, mesmo ainda tendo que desembolsar uma graninha para comprar um receptor para o computador ou um celular que possua tal tecnologia.

Ilustração: DigitalRampage

domingo, 2 de dezembro de 2007

Corinthians, pra sempre

Difícil deixar o lado torcedor mas não há o que discutir. A segunda divisão é sim mais do que merecida. Para os corintianos mais fanáticos, me desculpe, mas depois de anos errando a partir da parceria com a MSI, nada mais justo sentir o sabor amargo da segundona.

A queda de um grande como o Corinthians brinda a incompetência da diretoria, das comissões técnicas e dos jogadores, com excessão do brilhante e já ídolo Felipe. Esse sim, joga demais e com tão pouco tempo de clube, vestiu a camisa pra valer e com certeza será um grande goleiro no futuro. É o único que salva, o resto somado não dá um.

O fato é que, não vai ser fácil, porque tudo começa de cima. E quem está no topo da presidência hoje do Corinthians é alguém que sempre foi aliado de Dualib: Andrés Sanches. Quando Sanches percebeu que a coisa ia pegar pro seu lado depois das acusações da Polícia Federal contra Dualib e sua corja, ele se desligou de Dualib e como quem não quer nada entrou para a oposição.

O verdadeiro lobo em pele cordeiro. Alguém que não tem responsabilidade, não tem conhecimento de administração de um clube como o Corinthians e a visão que um presidente decente precisa ter para comandar essa nação. Saudades de Vicente Matheus, esse sim foi presidente do Corinthians, porque era corintiano.

Vale ressaltar uma coisa: mais triste do que os torcedores do Corinthians, estão as emissoras de televisão, principalmente a Rede Globo, que já prevê uma queda de ibope no Brasileirão da Série A do ano que vem.

Pode apostar que a Série B do ano que vem será transmitida como nunca foi antes e terá uma importância tão grande quanto a Série A. Tudo porque é o Corinthians, o time mais amado e ao mesmo tempo mais odiado desse país.

Uma coisa que nunca deixará dúvidas é sobre nós, corintianos. Pra nós, Corinthians é pra sempre, com muito amor, até o fim.

Corinthians Pra Sempre | Imagem: Headwires
Imagem: Headwires

sábado, 1 de dezembro de 2007

Corinthians, até o fim

Jogo histórico amanhã em Porto Alegre contra o Grêmio. Estou reproduzindo este texto de Ugo Giorgetti, palmeirense, colunista do Estadão, que foi disponibilizado no Blog do Juca há algum tempo atrás, quando o Corinthians estava entrando nessa queda vertiginosa.

Minha opinião sobre a queda ou não do Corinthians, escrevo após o jogo.

O Corinthians nos olhos do menino
Por Ugo Giorgetti

Domingo último pela manhã, passando pela rua Javari vi, na frente do estádio do Juventus, um pequeno movimento que indicava jogo. Entrei pensando que se tratasse de um jogo do Juventus. Não era.

Iam jogar Corinthians e Noroeste, com seus times que em outros tempos eram chamados de juvenis ou coisa parecida. Não tenho idéia de por que essas equipes iam jogar no campo do Juventus, e isso também não importa. Os times entraram em campo, sob um sol terrível, e pelos aplausos e comentários pude reparar nos corintianos presentes.

A rua Javari é um estádio em que não há anônimos, não há multidão informe. Você pode observar as reações de cada torcedor. É como no cinema ou no teatro. Há de fato, nas arquibancadas da rua Javari, qualquer coisa do clima dos enormes cinemas de bairro, de antigas matinês de domingo, alguma coisa perdida para sempre, muito difícil de definir.

Bom, quanto ao jogo pouco a dizer. Os garotos pareciam tentar desesperadamente jogar como os adultos no que estes têm de pior. Poucas jogadas individuais, marcação forte, carrinhos e chutões. Claro que havia alguns garotos em que se podia sentir a habilidade, mas desapareciam sob a marcação implacável.

Pude então me voltar para os espectadores, que talvez fossem mais interessantes que o jogo. Chamou imediatamente minha atenção uma dupla: um menino de uns oito anos e um senhor ao lado, pela idade, o avô.

O velho estava recostado indolentemente olhando o jogo, não com desinteresse mas com certo, digamos, distanciamento. Como se olhasse o jogo do alto da sua idade.

O menino não. Torcia, como se estivesse no Pacaembu, num grande jogo.

E de repente o Corinthians fez um gol.

O velho apenas se mexeu, mas o garoto vibrou, pulando e gritando.

Me ocorreu que, para aquele garoto, o Dualib, a Polícia Federal, a MSI, os trambiques e negociatas não significavam nada. Diante dele não estava o clube comentado nas reportagens policiais, com dirigentes estampados nos noticiários de tv, tendo de explicar o inexplicável.

Diante do garoto, ali no campo, estava o Corinthians.

Tenho certeza que nem lhe passava pela cabeça que aquele era apenas o time de base, o juvenil. Que aquele jogo talvez não tivesse nenhuma importância na trajetória desse clube cheio de tradição. O que ele via era a camisa branca, os calções pretos.

Era o Corinthians mitológico, eterno, que passa de uma geração para outra. Quando o jovem jogador ainda desconhecido fez o seu gol o garoto vibrou como se fosse do Rivellino, do Sócrates, do Tevez. E eu também compreendi que mesmo num pacato domingo de manhã, mesmo com o time juvenil, ali estava o Corinthians.

O menino continuava sem tirar os olhos do campo. O velho continuava olhando o jogo de longe. Pode ser que ele, sim, estivesse pensando no Dualib e no Kia, e no que aconteceu com seu clube.

Mas pode ser também que, pelo menos por alguns momentos, olhando os jovens jogadores no campo, ele tenha pensado em Cláudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário, que talvez tenha visto mais de cinqüenta anos atrás na mesma rua Javari.

Sempre o Corinthians, na memória de uns, no imaginário de outros, mais forte que os fatos. O velho chamou o vendedor que vestia um garboso jaleco grená com um "J" bordado no peito. Dividiram o amendoim torrado, o garoto sem conseguir desviar os olhos da partida.

Vi que o Corinthians estava salvo.