terça-feira, 25 de março de 2008

10.000 A.C.

Não saia de casa para ver 10.000 A.C., eu não recomendo. Ou saia, se você gosta de história natural, mas se bem que nem pra isso ele serve, pra falar a verdade.

Hoje é fácil criar uma ambientação de qualquer época que já existiu, ou ainda aquelas que nunca irão existir, como cenas futuristas saídas de mentes que “se acham brilhantes”, devido aos avanços em efeitos visuais e sonoros. Sendo assim, alguns diretores e alguns estúdios cinematográficos teimam em nos empurrar goela abaixo novos mundos, cheios de visões deslumbrantes e cenas de ação de cair o queixo.

É o caso de Roland Emmerich, é o caso de 10.000 A.C., que é uma tentativa extremamente frustrada disso tudo. Baseado em simplesmente nada, ou seja, mais uma vez numa profecia boba que o roteirista inventou, o filme tenta se apoiar numa história de amor pífia entre um homem das cavernas e uma mulher que se destaca entre as outras por ser a mais bela, a prometida de olhos azuis. E a guerra aclamada no roteiro envolve principalmente o rapto dela e de alguns de sua tribo, que são levados por cavaleiros para trabalhar nas construções das Pirâmides do Egito. E eu que pensava que as pirâmides não possuíam mais do que 6 mil anos de idade, mas enfim.

10.000 A.C. | Foto: Divulgação

O tal homem das cavernas atende pelo nome de D'Leh, coleciona hqs desenhados em rochas, joga gamão, fala inglês fluentemente e é um “exímio” caçador de mamutes. A sua amada atende pelo nome de Evolet, que até parece muda, porque não fala quase nada o filme todo. Mas voltando ao "herói", ele consegue salvar um imenso tigre dentes-de-sabre da morte e quando os dois se encontram novamente, o tigre “lembra” de seu rosto, como se tivesse uma memória de elefante e assim evita que D’Leh fosse atacado por uma outra tribo de nômades. Nessa hora, até parece que o tigre ensaia falar alguma coisa, como Aslan em As Crônicas de Nárnia, sério mesmo. Só de pensar nessa hipótese na hora deu medo, mas seria pelo menos hilário. E assim ele fica conhecido como o homem que desafiou a fera. Sua fama vai ganhando espaço e por onde ele passa vai conseguindo adeptos de outras tribos, que tiveram alguns membros raptados também.

Após muitas andanças, correrias, paisagens bonitas e animais pré-históricos, eles chegam ao Egito e assistem aos milhares de escravos trabalhando para os chamados “deuses” nas construções das pirâmides. E se você não consegue imaginar como elas foram construidas com aqueles milhares de toneladas de blocos de concreto, a solução do roteiro tem nome: mamutes! É, pelo menos não foram ETs dessa vez.

A batalha final - assim como toda a película - é chata, com uma manada de mamutes gigantes correndo no meio de pirralhos humanos que não sabem lutar. Naquela confusão toda, a prometida recebe uma flexada e morre. Quer dizer, você pensa que ela morre, mas o roteiro não deixa e assim a batalha acaba, os escravos são libertados e eles voltam para a sua terra natal.

E o filme é isso. E esta foi uma maneira que eu escolhi para gastar R$ 12,00.

10.000 A.C.

Foto: Divulgação
Ilustração: Headwires

1 heads:

Alcione Torres disse...

Deixei uma coisinha para vc no meu blog. Vai lá!
http://sarapateldecoruja.blogspot.com/2008/03/os-melhores-e-o-pior.html
Bjos!