Esse texto abaixo, de José Roberto Malia para o ESPN.com.br, é o melhor texto pós-olimpíada que li até agora. Vale cada parágrafo!
"Pois é, a participação da maior delegação brasileira da história olímpica (277 atletas) não poderia ter sido mais profícua: extraordinárias 15 medalhas - três de ouro, quatro de prata e oito de bronze. Passando a régua, 0,054 medalha por integrante. Produto, sem dúvida, de uma política esportiva de causar inveja a uma pobre Jamaica, obrigada a se contentar com velocistas sem a mínima condição de calçar sapatilhas verde e amarela.
Certamente o dadivoso presidente do COB, o eterno Carlos Arthur Nuzman, e o ministro olímpico Orlando Silva Júnior voltarão ao país das maravilhas do mestre Tatoo com um sorriso de orelha a orelha, mergulhados em malabarismos matemáticos. Não há motivos para deixar de soltar mais fogos que os chineses na festa e no encerramento dos Jogos.
Graças a um bem planejado investimento de R$ 100 milhões, a equipe de Pequim conseguiu a proeza de empatar em número de medalhas com a turma (225 atletas) de Atlanta/96. Mas no tira-teima, leva vantagem: obteve uma prata a mais.
Superou também o pessoal (247 atletas) de quatro anos atrás, em Atenas. No berço olímpico grego, o time faturou 10 medalhas. Tudo bem que ganhou dois ouros a mais, porém o que importa é a quantidade e não a qualidade. O brilho é apenas um detalhe, já dizia o filósofo Confúcio Parreira. Se os Estados Unidos podem subverter a história dos Jogos para vender uma falsa superioridade sobre a China, por que o Brasil precisa respeitar as regras? E, também, não é necessário lembrar que o combustível financeiro do governo foi muito menor em Atlanta e Atenas - gastou-se gasolina para impulsionar um Fusca.
Olimpicamente falando, pode-se dizer que o Brasil cumpriu à risca a profecia do ministro do Esporte ao aterrissar em Pequim: “Acho que teremos os melhores resultados da história. Nunca houve uma preparação tão boa.”
Palavras referendadas por Nuzman, após a festa chinesa: "Foi uma participação que nos orgulhou. É mais um passo no processo de evolução do esporte brasileiro.” Na mosca. Terminamos em uma cobiçada 23ª colocação, à frente de potências como Albânia, Andorra, Bangladesh, Botsuana, Eritréia, Kiribati, Serra Leoa, Suazilândia, Tonga e a quase sempre campeã São Vicente e Granadinas.
Que venha a Olimpíada de 2016! O Cristo Redentor já está de braços abertos para receber mais uma enxurrada de medalhas. "