Penso que tudo o que escrevo aqui é pessoal. Isso significa que, às vezes, minha opinião não satisfaz a todos ou parte das pessoas que acessa o blog ou que me conhece. E realmente não é para satisfazer, afinal, não criei o blog para agradar ninguém. Aliás, eu realmente não faço esforço nenhum para isso. Desvirtuar sua personalidade e sua atitude para agradar alguém ou alguma determinada situação é como prostituir seu caráter e seu intelecto. Isso eu dispenso.
Como vivemos numa democracia, todo esse tempo ele ficou livre para comentários. Apesar do blog estar acabando, ele serviu como uma troca de experiências e informações com quem eu conheço e com quem não conheço. Conheci opiniões e situações novas, troquei informações e por isso é válido. Mas pense: até quando será válido? Até quando uma informação que compartilho aqui ou ali é válida? Até que ponto ela é relevante pra quem lê?
Hoje, a velocidade que uma informação é transmitida pela web é uma dádiva. Que é uma revolução, ninguém discute. Só há um ponto cego nisso que poucos conseguem ver: até que ponto isso é realmente bom?
Como há, felizmente, mentes pensantes na rede, essa discussão está tomando forma, principalmente porque há alguns anos já vem atingindo a mídia tradicional, jornais e tv. E o contra-ataque está vindo. Um exemplo claro é a proposta do Estadão em seu novo comercial, que pergunta quanto vale uma informação e o quanto essa informação é importante para sua vida. De maneira alguma eles citam o problema, mas para um bom entendedor, é preciso citar?
Isso está gerando várias discussões sobre relevância da informação e não precisa ser um expert para notar que obviamente tudo está ligado aos serviços da era web 2.0, onde os usuários, com seus blogs, perfis em redes e twitters estão travando um duelo contra portais de informação, tudo para ver quem sai primeiro na foto ou quem fica com a primeira fatia do bolo. Afinal, se hoje a informação é gratuita, em larga escala e se espalha como um vírus, qual relevância ela possui? Qual fonte é a mais confiável? De onde partiu a informação? Quem publicou? Quem repassou? E o principal: por que acreditar nela?
Para chegar numa conclusão (ou não, depende do seu ponto de vista) é preciso analisar como chegamos numa situação caótica como essa. E caótica foi a melhor definição que achei para o 2º boom que aconteceu na internet em 2004, onde um burburinho chamado web 2.0 criou um monstro chamado usuário. A descrição de monstro pode parecer assustadora, e realmente é, baseado em tudo aquilo que já vi e que já analisei durante muito tempo. Então chegou a hora de falar de você, usuário, sem tentar colocar a culpa do caos no seu lombo. Não sei se vou conseguir, até porque, antes de ser Web Designer, também sou um usuário. Estamos no mesmo barco?
Sou Web Designer há 9 anos, acesso a web há 14 e isso não é nenhuma glória. Pelo contrário, se pudesse voltar no tempo, hoje trabalharia apenas com animação e edição de vídeo, quem sabe edição de som também, que muito me agrada. Mas tudo bem, a web fez minha cabeça, assim como hoje ela faz a sua. E realmente hoje, as possibilidades são infinitas, muito diferente de 15 anos atrás, onde a limitação já começava pela conexão.
Nesse tempo, já usei ou fui obrigado a usar, pela profissão, todas as “drogas” que a web possui, até chegar a era 2.0. Foi quando tudo mudou. Muitas coisas vieram para revolucionar e hoje não vivemos sem nenhum serviço dela, pois ela se tornou uma plataforma de mídia tão extensa que seus aplicativos se multiplicam na velocidade da luz e em uma variedade assustadora. E esse milagre da multiplicação foi pensando em você, usuário. E todos esses serviços que hoje você desfruta acabou mudando seu comportamento e você nem percebeu. Talvez nunca irá perceber.
O poder da informação e da geração de conteúdo, que antes era restrito a quem desenvolvia, começou a fazer parte da grande massa. E como se isso fosse o Santo Graal da existência virtual, você, usuário, pensou: "Espera aí, tudo isso, só pra mim? Então agora quem manda aqui sou eu, porque eu posso criar informação e conteúdo, posso copiar e ainda compartilho com quem eu quiser. Quem é que manda agora?". E assim, o poder da geração de conteúdo, seja ele em texto, imagem ou vídeo, passou a fazer parte da sua vida.
Ótimo! Realmente, é uma dádiva! E estou falando sério. Quantas coisas boas surgiram com o termo "compartilhar" da era 2.0 não está escrito no gibi (eu sei, desenterrei). Quanto já aproveitei e continuo aproveitando, não tenho idéia! Mas como se não houvesse nada de errado, tudo continuou crescendo mais e mais. Só que esse crescimento cegou a todos. O resultado disso é uma avalanche de informação e de conteúdo, aqui e ali, sem parar, desencontrada, descontrolada, sem relevância, porcamente escrita ou roteirizada, o verdadeiro caos que citei no início. E o maior reflexo disso é o conteúdo que hoje é disponibilizado na rede e que parte de você, usuário. E um dos maiores exemplos disso acontece nas redes sociais.
Depois de tantos anos e de ver tantos comportamentos, chego à conclusão de que, diferente do passado, hoje, a notoriedade e a aparência são importantes demais nesse mundo artificial. Se algo acontece e você é o primeiro a compartilhar, ponto pra você. Se nada acontece e você é o primeiro a compartilhar, ponto pra você também. Em busca do primeiro lugar e da notoriedade, ninguém respeita ninguém: tudo o que eu disse você já disse; tudo o que eu vi você já viu; tudo que eu fiz você já fez, e fez melhor, porque você, usuário, quer ser melhor do que eu e do que o resto do mundo. Você quer ser melhor e você quer mais, sempre mais. Nada é suficiente, nada te deixa satisfeito.
Se não bastasse, essa busca pela notoriedade e pela fama é tão grande que faz com que as pessoas busquem autopromoção nas redes, seja burlando sistemas através de scripts ou se prostituindo virtualmente para conseguir mais "amigos" ou "seguidores", como se isso fosse algum mérito, como se aquilo que você tem a dizer ou a compartilhar fosse relevante ou a mais pura verdade, ou algo tão importante para a vida de milhares de pessoas.
Este é o reflexo de uma terra sem lei, repleta de leões que caçam uns aos outros em busca de alimentar seus próprios egos e que atualmente geram a maior corrida sem noção da história da humanidade: quem vai chegar na frente do... nada?
Pense, a maior corrida idiota da humanidade pode estar acontecendo agora, debaixo do seu nariz, e você, direta ou indiretamente, está participando disso. Não se orgulhe. É uma corrida que leva do zero ao nada, onde as pessoas que participam nunca são burras, feias ou vagabundas: elas sempre possuem algo bom para compartilhar, informações importantes para sua vida, fotos lindas do último fim de semana e todo o resto de coisas interessantes que possam ocorrer nesse mundo de maravilhas. E claro, de mentiras.
Em busca desse nada, elas passam por cima de direitos, desrespeitam a si mesmos e ainda conseguem enganar uma legião de seguidores, muitos deles cegos pelo hype que, por ironia, eles próprios criaram. E isso ninguém percebe. Ao compartilhar ou criar informação e conteúdo, os próprios usuários, que por lógica são diferentes entre si, acabam alimentando-se uns aos outros num ciclo virtual, ao criar uma rede de compartilhamento em que a razão e o bom senso são deixados de lado, justamente para que esses conteúdos que eles disponibilizam sejam os mais vistos ou os mais comentados da vez. Afinal, quem vai ser o melhor usuário dos últimos tempos da última semana?
Com essa guerra de egos, de informação, de conteúdo e de compartilhamento na rede, para a maioria e até para quem acha que entende de mídia e de relacionamento, fica a errada impressão de que quanto mais compartilhar, melhor. E assim, a informação correta, que antes passava por vários critérios de avaliação antes de ser publicada para as massas, deixou de ser um privilégio e de ser algo relevante e passou a ser a coisa mais corriqueira do mundo. Até um diploma de jornalismo virou algo sem importância.
É preciso deixar claro que não sou a favor da centralização da mídia ou da informação em geral, aliás, se a web 2.0 tem um grande trunfo, é esse, a descentralização da informação e do conteúdo. O problema está em dar poder nas mãos de quem não sabe o que fazer com ele.
Talvez tudo isso seja reflexo da nossa própria cultura ou ainda, pensando mais adiante, da nossa própria natureza. O que eu realmente sei é que este é um caminho sem volta e quem perde com tudo isso somos nós mesmos.
Hoje, a verdade e a mentira estão de mãos dadas. São raras as pessoas que conseguem distinguir o valor de uma informação e o quão ela é relevante para sua vida. Pensando nisso, num exercício de futurologia, imagino um mundo aonde mais nenhum fato irá nos surpreender. Com tanta informação viajando o mundo em questões de milésimos de segundo, se o mundo começar a acabar no Japão, ainda vai sobrar um tempo para nós, brasileiros, colocarmos mais um post em nosso blog ou em nosso Twitter, informando a desgraça e o fim da raça humana. Quem vai ser o primeiro?
Como vivemos numa democracia, todo esse tempo ele ficou livre para comentários. Apesar do blog estar acabando, ele serviu como uma troca de experiências e informações com quem eu conheço e com quem não conheço. Conheci opiniões e situações novas, troquei informações e por isso é válido. Mas pense: até quando será válido? Até quando uma informação que compartilho aqui ou ali é válida? Até que ponto ela é relevante pra quem lê?
Hoje, a velocidade que uma informação é transmitida pela web é uma dádiva. Que é uma revolução, ninguém discute. Só há um ponto cego nisso que poucos conseguem ver: até que ponto isso é realmente bom?
Como há, felizmente, mentes pensantes na rede, essa discussão está tomando forma, principalmente porque há alguns anos já vem atingindo a mídia tradicional, jornais e tv. E o contra-ataque está vindo. Um exemplo claro é a proposta do Estadão em seu novo comercial, que pergunta quanto vale uma informação e o quanto essa informação é importante para sua vida. De maneira alguma eles citam o problema, mas para um bom entendedor, é preciso citar?
Isso está gerando várias discussões sobre relevância da informação e não precisa ser um expert para notar que obviamente tudo está ligado aos serviços da era web 2.0, onde os usuários, com seus blogs, perfis em redes e twitters estão travando um duelo contra portais de informação, tudo para ver quem sai primeiro na foto ou quem fica com a primeira fatia do bolo. Afinal, se hoje a informação é gratuita, em larga escala e se espalha como um vírus, qual relevância ela possui? Qual fonte é a mais confiável? De onde partiu a informação? Quem publicou? Quem repassou? E o principal: por que acreditar nela?
Para chegar numa conclusão (ou não, depende do seu ponto de vista) é preciso analisar como chegamos numa situação caótica como essa. E caótica foi a melhor definição que achei para o 2º boom que aconteceu na internet em 2004, onde um burburinho chamado web 2.0 criou um monstro chamado usuário. A descrição de monstro pode parecer assustadora, e realmente é, baseado em tudo aquilo que já vi e que já analisei durante muito tempo. Então chegou a hora de falar de você, usuário, sem tentar colocar a culpa do caos no seu lombo. Não sei se vou conseguir, até porque, antes de ser Web Designer, também sou um usuário. Estamos no mesmo barco?
Sou Web Designer há 9 anos, acesso a web há 14 e isso não é nenhuma glória. Pelo contrário, se pudesse voltar no tempo, hoje trabalharia apenas com animação e edição de vídeo, quem sabe edição de som também, que muito me agrada. Mas tudo bem, a web fez minha cabeça, assim como hoje ela faz a sua. E realmente hoje, as possibilidades são infinitas, muito diferente de 15 anos atrás, onde a limitação já começava pela conexão.
Nesse tempo, já usei ou fui obrigado a usar, pela profissão, todas as “drogas” que a web possui, até chegar a era 2.0. Foi quando tudo mudou. Muitas coisas vieram para revolucionar e hoje não vivemos sem nenhum serviço dela, pois ela se tornou uma plataforma de mídia tão extensa que seus aplicativos se multiplicam na velocidade da luz e em uma variedade assustadora. E esse milagre da multiplicação foi pensando em você, usuário. E todos esses serviços que hoje você desfruta acabou mudando seu comportamento e você nem percebeu. Talvez nunca irá perceber.
O poder da informação e da geração de conteúdo, que antes era restrito a quem desenvolvia, começou a fazer parte da grande massa. E como se isso fosse o Santo Graal da existência virtual, você, usuário, pensou: "Espera aí, tudo isso, só pra mim? Então agora quem manda aqui sou eu, porque eu posso criar informação e conteúdo, posso copiar e ainda compartilho com quem eu quiser. Quem é que manda agora?". E assim, o poder da geração de conteúdo, seja ele em texto, imagem ou vídeo, passou a fazer parte da sua vida.
Ótimo! Realmente, é uma dádiva! E estou falando sério. Quantas coisas boas surgiram com o termo "compartilhar" da era 2.0 não está escrito no gibi (eu sei, desenterrei). Quanto já aproveitei e continuo aproveitando, não tenho idéia! Mas como se não houvesse nada de errado, tudo continuou crescendo mais e mais. Só que esse crescimento cegou a todos. O resultado disso é uma avalanche de informação e de conteúdo, aqui e ali, sem parar, desencontrada, descontrolada, sem relevância, porcamente escrita ou roteirizada, o verdadeiro caos que citei no início. E o maior reflexo disso é o conteúdo que hoje é disponibilizado na rede e que parte de você, usuário. E um dos maiores exemplos disso acontece nas redes sociais.
Depois de tantos anos e de ver tantos comportamentos, chego à conclusão de que, diferente do passado, hoje, a notoriedade e a aparência são importantes demais nesse mundo artificial. Se algo acontece e você é o primeiro a compartilhar, ponto pra você. Se nada acontece e você é o primeiro a compartilhar, ponto pra você também. Em busca do primeiro lugar e da notoriedade, ninguém respeita ninguém: tudo o que eu disse você já disse; tudo o que eu vi você já viu; tudo que eu fiz você já fez, e fez melhor, porque você, usuário, quer ser melhor do que eu e do que o resto do mundo. Você quer ser melhor e você quer mais, sempre mais. Nada é suficiente, nada te deixa satisfeito.
Se não bastasse, essa busca pela notoriedade e pela fama é tão grande que faz com que as pessoas busquem autopromoção nas redes, seja burlando sistemas através de scripts ou se prostituindo virtualmente para conseguir mais "amigos" ou "seguidores", como se isso fosse algum mérito, como se aquilo que você tem a dizer ou a compartilhar fosse relevante ou a mais pura verdade, ou algo tão importante para a vida de milhares de pessoas.
Este é o reflexo de uma terra sem lei, repleta de leões que caçam uns aos outros em busca de alimentar seus próprios egos e que atualmente geram a maior corrida sem noção da história da humanidade: quem vai chegar na frente do... nada?
Pense, a maior corrida idiota da humanidade pode estar acontecendo agora, debaixo do seu nariz, e você, direta ou indiretamente, está participando disso. Não se orgulhe. É uma corrida que leva do zero ao nada, onde as pessoas que participam nunca são burras, feias ou vagabundas: elas sempre possuem algo bom para compartilhar, informações importantes para sua vida, fotos lindas do último fim de semana e todo o resto de coisas interessantes que possam ocorrer nesse mundo de maravilhas. E claro, de mentiras.
Em busca desse nada, elas passam por cima de direitos, desrespeitam a si mesmos e ainda conseguem enganar uma legião de seguidores, muitos deles cegos pelo hype que, por ironia, eles próprios criaram. E isso ninguém percebe. Ao compartilhar ou criar informação e conteúdo, os próprios usuários, que por lógica são diferentes entre si, acabam alimentando-se uns aos outros num ciclo virtual, ao criar uma rede de compartilhamento em que a razão e o bom senso são deixados de lado, justamente para que esses conteúdos que eles disponibilizam sejam os mais vistos ou os mais comentados da vez. Afinal, quem vai ser o melhor usuário dos últimos tempos da última semana?
Com essa guerra de egos, de informação, de conteúdo e de compartilhamento na rede, para a maioria e até para quem acha que entende de mídia e de relacionamento, fica a errada impressão de que quanto mais compartilhar, melhor. E assim, a informação correta, que antes passava por vários critérios de avaliação antes de ser publicada para as massas, deixou de ser um privilégio e de ser algo relevante e passou a ser a coisa mais corriqueira do mundo. Até um diploma de jornalismo virou algo sem importância.
É preciso deixar claro que não sou a favor da centralização da mídia ou da informação em geral, aliás, se a web 2.0 tem um grande trunfo, é esse, a descentralização da informação e do conteúdo. O problema está em dar poder nas mãos de quem não sabe o que fazer com ele.
Talvez tudo isso seja reflexo da nossa própria cultura ou ainda, pensando mais adiante, da nossa própria natureza. O que eu realmente sei é que este é um caminho sem volta e quem perde com tudo isso somos nós mesmos.
Hoje, a verdade e a mentira estão de mãos dadas. São raras as pessoas que conseguem distinguir o valor de uma informação e o quão ela é relevante para sua vida. Pensando nisso, num exercício de futurologia, imagino um mundo aonde mais nenhum fato irá nos surpreender. Com tanta informação viajando o mundo em questões de milésimos de segundo, se o mundo começar a acabar no Japão, ainda vai sobrar um tempo para nós, brasileiros, colocarmos mais um post em nosso blog ou em nosso Twitter, informando a desgraça e o fim da raça humana. Quem vai ser o primeiro?
Assine via RSS
Favoritos BlogBlogs
blog@thiagomargato.com

2 heads:
Meu caro, o virtual nada mais é que reflexo do real. Se está tudo um caos, é porque aqui fora também está. Se tudo é aparência e corrida para ser o melhor e maior, é porque isso também ocorre. O negócio é se manter distante disso, para não se irritar. Sou usuária, mas estou cagando para tudo isso. :P
Dear, mudei o endereço do blog: http://sindromedemia.blogspot.com/
Beijo!
PS: Vai no Killers, né?
Postar um comentário